A Ascensão de Cristo
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A Ascensão de Cristo
Técnica de Reprodução
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Descrição da Obra
A Revelação Surrealista: "A Ascensão de Cristo", 1958 – Salvador Dalí
Em 1958, o mestre da surrealidade, Salvador Dalí, entregou ao mundo “A Ascensão de Cristo”, uma obra que transcende a mera representação religiosa para se tornar um profundo mergulho na psique humana e nas fronteiras entre fé, ciência e o inconsciente. Longe das imagens tradicionais de ascensão celestial, Dalí nos apresenta uma visão onírica, carregada de simbolismo e uma força visual inegável que convida à contemplação e à interpretação. A pintura não busca replicar a realidade; ela procura evocar um sentimento, uma atmosfera de perplexidade e reverência diante do divino.
A gênese desta obra singular reside em um sonho vivido por Dalí oito anos antes, em 1950. Nesse encontro noturno com o seu subconsciente, o artista se deparou com o núcleo de um átomo – uma imagem de precisão e fria beleza que se tornou a base da composição central da tela. A figura de Cristo, desprovida de traços faciais definidos, é esculpida em uma forma quase escultórica, com os pés voltados diretamente para o espectador, um gesto que nos convida a um diálogo íntimo. A presença marcante de Gala, esposa e musa de Dalí, sob o núcleo atômico, com seu rosto marcado por lágrimas de profunda tristeza, introduz um elemento de melancolia e questionamento na cena, criando uma tensão entre a lógica implacável da física nuclear e a emoção humana.
A Decomposição Narrativa: Simbolismo e Composição
Diferentemente das representações convencionais da ascensão de Cristo, Dalí nos oferece um cenário radicalmente diferente. A figura de Cristo não é elevada ao céu por anjos, mas sim direcionada para baixo, em direção ao espectador, como se estivesse se fundindo com a realidade. Os anjos que o cercam não são figuras de proteção e auxílio, mas sim entidades distantes e enigmáticas, cujas expressões sugerem uma certa indiferença ou até mesmo desapego. A paleta de cores vibrante – amarelos intensos, laranjas flamejantes – contribui para a atmosfera alucinante da pintura, afastando-a da realidade terrena e mergulhando o observador em um estado de sonho. A composição dinâmica, com linhas angulares e formas geométricas complexas, reflete a própria natureza do inconsciente, um espaço caótico e imprevisível onde as leis da lógica não se aplicam.
Domínio Surrealista: Técnica e Influência
“A Ascensão de Cristo” é uma demonstração magistral da técnica surrealista de Dalí. A meticulosa atenção aos detalhes – a precisão na representação do núcleo atômico, as delicadas dobras das vestes de Cristo – contrasta com a natureza onírica da obra. O uso de linhas nítidas e sombreamento preciso cria uma sensação de hiperrealismo dentro de um cenário ilógico, intensificando o efeito perturbador da pintura. Dalí, profundamente influenciado pelas obras dos mestres clássicos como Caravaggio e Tician, incorporou elementos da composição clássica em sua visão surrealista, criando uma síntese única entre a tradição e a inovação. A obra também reflete a fascinação de Dalí pela ciência, buscando encontrar paralelos entre a estrutura do átomo – um universo minúsculo governado por leis imutáveis – e a ordem divina da criação.
Um Legado de Mistério: Reproduções e Além
“A Ascensão de Cristo” permanece uma das obras mais enigmáticas e cativantes de Dalí. É uma pintura que convida a múltiplas visualizações, incentivando o espectador a se aprofundar em suas camadas de simbolismo e ressonância emocional. A ArtsDot oferece reproduções meticulosamente elaboradas desta obra icônica, permitindo que você traga esta visão surrealista para o seu próprio espaço. Cada reprodução captura a essência da intenção original de Dalí – a atmosfera onírica, a ambiguidade perturbadora e a profunda contemplação que ela evoca. Explore outras obras-primas surrealistas em Top 5 Famous Surrealism Artists of All Time e descubra o poder duradouro da visão artística de Dalí.
Obras Relacionadas
Biografia do Artista
Uma Vida Submersa em Sonhos: O Mundo de Salvador Dalí
Salvador Domingo Felipe Jacinto Dalí i Domènech, um nome sinônimo do surrealismo, nasceu em 11 de maio de 1904, na ensolarada cidade de Figueres, Espanha. Sua existência estava destinada a ser tudo menos ordinária – uma vida meticulosamente construída como uma performance, uma exploração do subconsciente tornada visível através de imagens surpreendentes e brilhantismo técnico. A sombra da perda pairou desde cedo; seu irmão mais velho, também chamado Salvador, havia morrido apenas nove meses antes de seu nascimento, um trauma que permearia sua arte com temas de dualidade e substituição. Essa experiência formativa, combinada com um relacionamento complexo com seu pai severo, porém pragmático, e o afeto indulgente de sua mãe, moldou uma personalidade ao mesmo tempo extravagante e profundamente introspectiva. Desde jovem, Dalí demonstrou um talento artístico excepcional, nutrido através do treinamento formal na Academia de Belas Artes de San Fernando em Madrid. No entanto, foi um encontro crucial com a pintura moderna – particularmente as obras dos impressionistas e mestres renascentistas – que acendeu nele o desejo fervoroso de romper com a tradição e forjar seu próprio caminho único.
A Fornalha de Paris e o Nascimento de uma Visão Surrealista
Uma jornada para Paris em 1926 provou ser transformadora, imergindo Dalí no coração do movimento vanguardista. Ele se sentiu atraído pelo espírito rebelde do Dadaísmo, sua rejeição da lógica e abraço ao absurdo ressoando com suas próprias inclinações artísticas emergentes. Mais importante ainda, foi em Paris que ele abraçou plenamente o Surrealismo, conectando-se com figuras-chave como André Breton, Pablo Picasso – a quem Dalí reverenciava profundamente – e Joan Miró. Esse encontro não foi meramente uma adoção de um estilo; Dalí revolucionou o próprio movimento. Ele desenvolveu o que chamou de “método paranoico-crítico”, um estado autoinduzido de paranoia projetado para desbloquear as imagens ocultas do subconsciente. Essa técnica permitiu que ele traduzisse sonhos, ansiedades e símbolos profundamente pessoais em telas com clareza surpreendente e detalhes meticulosos. O resultado foi um mundo povoado por relógios derretidos, sombras alongadas, figuras distorcidas e justaposições bizarras – marcas de seu estilo instantaneamente reconhecível. A Persistência da Memória, concluída em 1931, continua sendo talvez sua obra mais icônica, encapsulando a exploração surrealista da fluidez do tempo, a fragilidade da memória e a inevitabilidade da decadência.
Além das Telas: Um Artista Prolífico e Multifacetado
A produção criativa de Dalí se estendeu muito além da pintura. Ele foi um artista notavelmente prolífico, aventurando-se na escultura, no cinema – notadamente colaborações com Alfred Hitchcock em Spellbound e Walt Disney – na arte gráfica, no design de joias e até mesmo nos cenários de palco. Sua fascinação não se limitava aos meios artísticos tradicionais; ele explorou as fronteiras da arte comercial, projetando anúncios e vitrines. Motivos recorrentes permeavam seu trabalho: formigas simbolizando a decadência, ovos representando a vida pré-natal e a esperança, muletas significando apoio e fragilidade, gavetas insinuando segredos ocultos e objetos derretidos incorporando a instabilidade da realidade. Esses símbolos não eram arbitrários; eles eram profundamente pessoais, enraizados em suas próprias ansiedades, desejos e memórias. Obras como Juliet's Tomb, uma pungente exploração da perda, Mannequin (Barcelona Mannequin), refletindo uma obsessão com artificialidade e identidade, e Landscape with Flies, uma representação perturbadora da mortalidade, demonstram a amplitude e profundidade de suas preocupações temáticas. Sua técnica meticulosa, aprimorada ao longo dos anos de prática, permitiu que ele renderizasse essas visões fantásticas com realismo fotográfico, amplificando ainda mais seu poder inquietante.
Excentricidade, Legado e Influência Duradoura
Ao longo de sua vida, Dalí cultivou uma persona tão extravagante e excêntrica quanto sua arte. Ele abraçou a autopromoção, compreendendo o poder do espetáculo para capturar a atenção pública. Seu casamento com Gala Éluard em 1934 foi fundamental, não apenas pessoalmente, mas artisticamente; ela se tornou sua musa, gerente de negócios e apoiadora inabalável. Embora seus últimos anos tenham sido marcados por empreendimentos comerciais crescentes e um abraço às vezes controverso ao regime franquista, seu legado artístico permanece imenso. Ele morreu em 23 de janeiro de 1989, deixando para trás uma obra que continua a desafiar, provocar e inspirar. O Museu Salvador Dalí em St. Petersburg, Flórida, é um testemunho de seu apelo duradouro, abrigando uma extensa coleção que permite aos visitantes mergulhar no mundo deste artista extraordinário. Dalí transcendeu as fronteiras da arte, tornando-se um ícone cultural cuja influência pode ser vista na moda, no cinema, na publicidade e na cultura popular. Ele permanece um dos artistas mais reconhecíveis e influentes do século XX – um verdadeiro visionário que ousou explorar as profundezas do subconsciente e traduzir seus mistérios em telas para o mundo inteiro ver.
Salvador Dalí
1904 - 1989 , Espanha
Informações Rápidas
- Artistas Que O Influenciaram:
- Cubismo
- Dada
- Pablo Picasso
- Artistas/Movimentos Influenciados:
- Pop art
- Artistas contemporâneos
- Data Da Morte: 23 de janeiro de 1989
- Data De Nascimento: 11 de maio de 1904
- Local De Nascimento: Figueres, Espanha
- Movimento Artístico: Surrealismo
- Nacionalidade: Espanhol
- Nome Completo: Salvador Domingo Felipe Jacinto Dalí i Domènech
- Obras Notáveis:
- A Persistência da Memória
- Juliet's Tomb
- Mannequin


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